sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Web 2.0: um instrumento para Educação Musical
Autores
Arlindo Zanarde
Andrea Vieira Melo Sother
Cláudio Márcio Gonçalves
Daiane dos Santos Tessaro
Edivane Maria da Silva Mendonça
Fabiana M. Rodrigues Ferraz
Valdir Rodrigues da Silva

O processo de Inclusão Digital não se restringe apenas ao fato de possuir um computador com acesso à internet, pois outras questões relevantes estão associadas a esse processo. Partindo desse princípio, conclui-se que o ponto principal na viabilização do processo de inclusão digital é a educação, pois nos últimos anos cresceu consideravelmente o número de pessoas com acesso à internet. Num primeiro momento, achava-se que o simples fato de conectar as pessoas à internet fazia com que estivessem incluídas digitalmente. No entanto, considera-se que plugar na internet é fácil, o difícil é se incluir digitalmente.  Diante desse desafio, entende-se que cabe ao governo a disponibilização de acesso a computadores estendidos a todas as classes sociais, incentivando o uso das tecnologias a serviço da educação, como construção de conhecimento, acesso à informação, interação e socialização.
 O contexto da contribuição da Web 2.0 nos sistemas de educação online destaca a importância da construção do conhecimento coletivo. Os sistemas de aprendizagem virtuais dão ênfase ao ensino aplicado com a participação dos alunos e professores. As ferramentas da Web possibilitam ofertar ao ensino um novo olhar, com ênfase ao conhecimento coletivo. Essa ferramenta é referência para utilização dos blogs, wikis, podcasts, em função de serem as mais difundidas utilizadas nos meios educacionais e pedagógicos, podendo ser usados para diversos fins.
            Muitos consultores defendem o uso intensivo da Web 2.0 na educação. Necessitando que o educador incentive os alunos a utilizarem essas ferramentas com bom senso e direcionada como meio de elevação do patamar do conhecimento entre os membros de uma rede social como construtor da informação, permitido uma total integração.
 Estamos atualmente navegando em um novo contexto tecnológico. As transformações relacionadas ao advento das novas tecnologias digitais produzem um espaço em rede que relaciona diversos tipos de informações. Este espaço altamente técnico e instantaneamente conectado solicita novas resoluções para as questões relacionadas com a educação.
 A maior característica dessa mudança na internet é o aproveitamento da inteligência coletiva. Além disso, a Web 2.0 se baseia no desenvolvimento de uma rede de informações onde cada usuário pode não somente usufruir, mas sim contribuir.
            A segunda geração web alterou o modo como a sociedade interage com a tecnologia. Isso deve se refletir no contexto educacional, pois alguns educadores já publicam seu planejamento de curso on-line, alguns grupos de trabalho se reúnem em webgroups, utilizam flickr, blogs, face book, orkut e criam comunidades virtuais educacionais. Há um grande potencial de aproveitamento da web 2.o na educação dos jovens; se tratarmos a utilização dessa plataforma como mediadora da aprendizagem, enquanto exercício de cidadania digital dos estudantes. 
             Ainda existe o moodle, onde o aplicativo torna cada vez melhor a cada nova interação dos usuários, as próprias discussões nos fóruns, entregas de tarefas e até mesmo as atividades criadas pelos educadores.
            A principal característica web 2.0 é a possibilidade de interagir grupos e pessoas entre si. Tornar-se o centro das atenções pela relevância do seu conteúdo, e não pelo seu poder de emissão.  Os tradicionais veículos de comunicação estão perdendo espaço dia após dia para a web 2.0. As características web 2.0 é se envolver com o público. É o público interagindo com os seus semelhantes.
A velocidade com que estes tipos de sites e comunidades estão crescendo é impressionante. Se tomarmos por base os Estados Unidos, verificamos que 55% dos entrevistados não assistem programas de TV. 70% das Crianças com menos de 11 anos não utilizam a televisão.
 As principais características web 2.0 são: transparência e verdade, vários emissores, vários receptores, possibilidade de interação entre os usuários do meio e várias fontes de opinião o contribui para confiabilidade das informações. 
            Dentro deste contexto tecnológico e educacional insere-se a educação musical. Sabe-se que a utilização das tecnologias de informação e comunicação nas aulas de música é algo bastante usual. Não se consegue mais pensar em aulas de educação musical sem um aparato tecnológico por mais simples que seja como um tocador de CD, por exemplo. No entanto, com a revolução tecnológica advinda da web 2.0. todos os recursos citados anteriormente (blog, podcast, fóruns, moodle e etc.) estão à disposição, gratuitamente, para que as aulas de educação musical sejam mais adequadas à realidade dessa geração de crianças e jovens que surge no século XXI.
Recapitulando, o grande diferencial da web 2.0 não está em sua estrutura tecnológica e sim nas mudanças da forma de se interagir com a internet por parte dos usuários. Essa nova forma de estar on line é mais descentralizada e o indivíduo assume uma postura ativa e participativa na produção, seleção e troca de conteúdo postado em determinado site por meio de plataformas abertas, ou seja, direto na rede. Assim, esses ambientes virtuais mantém disponíveis todo tipo de arquivo (texto, vídeos, imagens e etc.) on line podendo ser acessado por qualquer pessoa de qualquer lugar ou momento desde que conectada à rede evitando-se a necessidade de se gravar em um determinado computador os registros de uma produção ou alteração de qualquer documento multimídia. Existem inúmeras ferramentas com esse perfil disponível na web 2.0. e que são extremamente úteis para a educação musical, uma delas é o podcast.
 “Podcast é uma forma de transmissão de arquivos multimídia na internet criados pelos próprios usuários. Nestes arquivos, as pessoas disponibilizam listas e seleções de músicas ou simplesmente falam e expõem suas opiniões sobre os mais diversos assuntos, como política ou o capítulo da novela. Pense no podcast como um blog, só que ao invés de escrever, as pessoas falam.” (Martins, 2008)
Trata-se de uma mídia recente no Brasil atingindo poucas pessoas que se assemelha a um programa de rádio, porém sua diferença e vantagem primordial é o conteúdo sob demanda. Você pode ouvir o que quiser na hora que melhor lhe for conveniente. Basta acessar e clicar no play ou baixar o episódio. (Miro, 2014)
Mota & Coutinho, 2009, apresentam um relato de caso em que o podcast foi utilizado como ferramenta nas aulas de educação musical para adolescentes do 6º ano do ensino básico na cidade do Porto, Portugal.
Usando um site que permite a criação de postcast, www.podomatic.com/walkthrough, os autores criaram o podcast www.musicanaweb.podomatic.com. A partir daí foram criadas várias atividades que os alunos acessavam em seus computadores ou celulares fora dos horários de aula.

A primeira atividade foi a gravação de uma música estudada e interpretada em sala de aula que foi gravada e disponibilizada no podcast. Para essa atividade deram o nome de "pequena brincadeira". Segundo Mota & Coutinho, 2009, os alunos se divertiam ao ouvirem a gravação e demonstravam satisfação em compartilhar com outros amigos extra sala.
A segunda atividade foi denominada "Compositor Secreto" e consistiu em uma publicação de um excerto de uma obra de um compositor (o compositor secreto), uma imagem distorcida da face do compositor e umas poucas dicas de sua biografia. O objetivo era que os alunos pesquisassem por compositores possíveis baseado nas dicas fornecidas e tecessem comentários tentando desvendar o mistério.  A cada 10 dias, um novo excerto do mesmo compositor era publicado, diminuída a distorção da imagem e mais dicas da biografia. Ao final do mês o "Compositor Secreto" era revelado.
 A terceira atividade, "Minha Canção", tratava-se de um desafio para quem postava o arquivo de áudio e para quem ouvia. Os alunos deveriam escolher sua canção preferida e gravar a melodia através de instrumento ou voz, sendo que no segundo caso não deveriam usar palavras, pois isso facilitaria muito a descoberta do nome da canção. Após a gravação deveriam criar um episódio no podcast e disponibilizar o arquivo de áudio para o restante da sala.  Todos os alunos deveriam ouvir e tentar descobrir qual o nome da canção e quem era o intérprete de cada publicação tecendo comentários no próprio site.
A quarta atividade, "Vamos Tocar", consistiu na interpretação na flauta doce de uma peça escolhida pelos autores e disponibilizada a partitura para todos os alunos. Cada aluno deveria gravar sua própria interpretação e disponibilizá-la no site. Foi realizada uma votação para escolha da melhor interpretação.
A quinta e última atividade, "Um pouco mais de ....", era relativa à história da música. Em grupos, os alunos realizaram pesquisas sobre diferentes períodos da história da música (Idade Média, Barroco, Romantismo, etc.) e criaram um resumo contendo as principais características, obras e compositores. A partir do resumo foi criado um episódio no podcast para que os outros grupos tivessem acesso à informação.
Com essa experiência, os autores Mota& Coutinho, 2009, concluíram que a participação e interesse pelas aulas de educação musical foi alterado de forma positiva.
 “Através dos resultados obtidos, podemos concluir que o podcast é uma ferramenta útil à disciplina de educação musical, nomeadamente à nível das competências auditivas e tecnológicas. Claro que, como todas as tecnologias, esta deverá ser integrada de forma efetiva e eficaz na sala de aula. É importante ressaltar que o nível de motivação dos alunos aumenta ao utilizar o podcast, devido ao fato de termos obtido bons resultados numa área temática à qual a maioria dos alunos não adere facilmente.” (Mota & Coutinho, 2009: 5).
 Concluindo, é possível atribuir o processo de inclusão digital diretamente a questão da educação: agregar conhecimentos (neste caso, por meio de recursos tecnológicos) para a vida. E o mesmo é verdadeiro em relação a todas as esferas educacionais, incluindo a educação musical.
A Web 2.0 possibilitou a compilação de dados, informações e, a elaboração de sistemas de educação on line graças à inovação e o reporto à construção do conhecimento coletivo, através dos blogs, wikis, podcasts e outros aplicativos.
Dentro desse contexto tecnológico, pesquisadores na área da educação musical vêm descobrindo muitas facetas para estimular os alunos, pois inevitavelmente as informações correm na velocidade da luz acelerando a busca e a ânsia dos mesmos em buscarem alternativas para acompanhar essas mentes inquietadas e sedentas por novidades como as dos jovens e crianças dos dias atuais. Cabe a cada educador desenvolver estratégias de ensino e metodologias capazes de instigarem seus alunos aproveitando os recursos tecnológicos disponíveis como o podcast.

Referências Bibliográficas

 BOTTENTUIT, J, BATISTA, J.e  COUTINHO, C.P. (2007) Podcast em  Educação: um  contributo para o estado da arte. In Barca, A.; Peralbo, M Porto, A. Silva. B.D. & Almeida L. (eds.) Actas do IX Congresso Internacional Galego Português de Psicologia. Setembro, Universidade
MOTA, P.A.S. & COUTINHO, C.P. A Web 2.0 na aula de Educação Musical: um estudo com podcast numa turma de 6º ano de escolaridade. 2009. Acesso em: 30 de agosto de 2015. Disponível em:  https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/9444/1/pedro.pdf - Podcasting na Educação Musical 2º ciclo do Ensino Básico
MARTINS,L. TECMUNDO:  O que é podcast? Acesso em: 1º de setembro de 2015. Disponível em: http://www.tecmundo.com.br/1252-o-que-e-podcast-.htm
MIRO, T. Mundo Podcast: O que é podcast? Acesso em: 1º de setembro de 2015. Disponível em: http://mundopodcast.com.br/artigos/o-que-e-podcast/
RIBEIRO, A.C. & SCHONS, C. H. A contribuição da Web 2.0 nos sistemas de educação online. Disponível em: http://legacy.unifacef.com.br/quartocbs/artigos/G/G_140.pdf

GORSKI, I. Características WEB 2.0: Afinal, o que é Web 2.0? Disponível em: https://ivangorski.wordpress.com/2009/01/15/caracteristicas-web-20-afinal-o-que-e-web-20/ 

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